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sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

ADVÉRBIOS podem exercer a função de SUJEITO ?

Dentro da tradição gramatical,  o advérbio normalmente só exerce função de adjunto adverbial.

Porém,  além de poder ser predicativo do sujeito (A vida é ASSIM), ele poderá ser SUJEITO,  segundo os  estudiosos: Evanildo Bechara(2006), Eneida Bomfim(1988), Cláudio Cezar Henriques(2005). Vejamos exemplos da estudiosa Eneida Bomfim, os cinco primeiros, e do gramático Evanildo Bechara, os dois últimos:
 1) HOJE e AMANHÃ são dias de festa. 
2) ONTEM foi um dia péssimo. 
3) AMANHÃ será outro dia.      
4) AQUI é o melhor lugar do mundo. 
5)  continua um paraíso.
6) HOJE é segunda-feira. 
7) AQUI é ótimo para a saúde.

Segundo Henriques (2005): "A função de sujeito não é privativa de substantivos, pronomes e numerais. Os advérbios de base nominal e pronominal também podem desempenhar esta é outras funções que tradicionalmente não lhe são atribuídas.

Ex.: Não gosto DAQUI. Advérbio de base pronominal como objeto indireto.  

Ex.: O filme de HOJE está bom. Advérbio de base nominal como núcleo de adjunto adnominal : a locução adjetiva , neste caso , é formada por preposição + advérbio.

Ex.: ALI parece sujo. Advérbio de base pronominal como sujeito."

Só para fechar: Adriano da Gama Kury (1991) apesar de não mencionar explicitamente, faz uma citação com advérbio como sujeito :
Ex.: AMANHÃ é feriado nacional. (Aníbal Machado).

Referências 

BECHARA, Evanildo.  Lições de português  pela análise sintática .18.ed. Rio de Janeiro: Lucerna, 2006.
BOMFIM, Eneida. Advérbios. São Paulo : Ática, 1988.
HENRIQUES, Cláudio Cezar. Sintaxe portuguesa para a linguagem culta contemporânea: teoria e prática. 5.ed. Rio de Janeiro : EdUERJ,2005.
KURY,  Adriano da Gama. Novas lições de análise sintática.5.ed. São Paulo : Ática,1991. 

domingo, 15 de novembro de 2020

O que é "SUJEITO PLEONÁSTICO" ?


 O sujeito pleonástico ou sujeito  duplo é um assunto pouco abordado pelos gramáticos.

O pleonasmo consiste numa repetição, "para fim expressivo, de termo já enunciado em determinada função sintática."(Kury,1991). Ex.: Os medíocres, ESSES  deixam-se levar sem resistência na torrente das inovações. (Mário Barreto apud Othon M. Garcia (2006).

Esta repetição é utilizada por uma necessidade expressiva, ou seja, um reforço para enfatizar o termo repetido. A repetição do sujeito, como nos lembra M.P. Ribeiro (2011), pode surgir depois de verbos causativos e sensitivos. Além disso, Ribeiro (2011) diz que o termo que se tornará pleonástico, ficará no início da frase. E que consiste  na antecipação de um termo nominal da oração, que depois se relembra, no lugar próprio, com um pronome na mesma função sintática.(Kury,1991).

Vejamos o exemplo de Ribeiro (2011):
Ex.: O MENINO (sujeito)/que veio comigo/ mandei-/O (sujeito) voltar.
 
Kury (1991):
"'Mas AS COISAS FINDAS,
muito mais que lindas,
ESSAS ficarão'(C.Drummond )
O pronome ESSAS , equivalente de AS COISAS FINDAS, é sujeito pleonástico."
 
Carlos Góes (1931) apresenta os seguintes exemplos de reforço do sujeito:
A)  O sujeito é repetido, porque se lhe segue um, ou mais vocativos: 
Ex.: Tu só, TU, puro amor... (Camões)

B) O sujeito é repetido, porque é cortado de orações incidentes :
Ex.: TU, QUE DIRIGISTE MEUS PASSOS...Tu, A QUEM DEVO todas as minhas inspirações...

C) O sujeito é repetido por ênfase :
Ex.: Este, ESTE é o meu Deus (Garrett).

Ex.: E se a lei, ESSA lei nefanda, batesse à minha porta... (Ruy Barbosa)

D) O sujeito é repetido por um pronome :
Ex.: O peito, ESSE, ESSE mal contido amor transborda (Machado de Assis)

E) O sujeito é reforçado por um expletivo idiomático :
Ex.:Faltam ELLES homens (Teix.de Vasc.)

E Mestre Said Ali (1964,p.105) afirma que para representar pleonasticamente o sujeito usa-se ESSE/ISSO:
EX.: A sciencia, ESSA é invulneravel (C.Castelo Branco). 

Enfim, apesar de não recomendado na escrita culta, não há problema na escrita literária que visa registrar este fenômeno linguístico. 

Referências 

ALI, M.Said.Gramática secundária e Gramática histórica da língua portuguesa.  Brasília : UnB, 1964. 

GÓES, Carlos. Syntaxe de regência.3 ed. Petrópolis, L.Silva & Cia, 1931.

KURY,  Adriano da Gama. Novas lições de análise sintática . 5.ed. São Paulo : Ática, 1991. 

RIBEIRO, Manoel P. Gramática aplicada da língua portuguesa. 20.ed. Rio de Janeiro: Metáfora editora , 2011.

domingo, 9 de agosto de 2020

Complemento verbal locativo?


Como classificar o complemento dos verbos que necessitam de um termo locativo ? 

Adjunto adverbial, complemento circustancial, complemento terminativo, objeto indireto , objeto indireto adverbial, objeto indireto circustancial,  objeto indireto locativo ?

A classificação dos complementos de natureza adverbial 

1) Muitas classificações tanto quanto as divergências a cerca do assunto. A classificação dos complementos de natureza adverbial causa diferentes entendimentos e desentendimentos entre os nossos mais abalizados gramáticos normativos. Os verbos de movimento ou de situação  (chegar, ir, partir, seguir, vir, voltar, ficar, morar, etc.) pedem um COMPLEMENTO ADVERBIAL DE LUGAR, e não um ADJUNTO ADVERBIAL. 
Como o verbo ir exige a preposição A para ligá-lo ao termo locativo, muitos gramáticos veem aí um complemento verbal (obrigatório) e não um adjunto adverbial (dispensável ).

2) Entenda: alguns verbos exigem um termo locativo para completa o seu sentido. A ausência de complemento para o verbo ir deixaria a frase  sem sentido:
Ir a Belém 
Ir  (onde?)

Por isso, não poderíamos classificar o verbo ir como intransitivo (sentido completo), pois sem o termo locativo o sentido ficaria incompleto. 

3) Entretanto, como adverte Eduardo Carlos Pereira: "entre o complemento terminativo e o circunstancial nem sempre há limites rigorosos." E Francisco Fernandes (1990), no Dicionário de verbos e regimes, afirma que "não é fácil delimitar fronteiras entre adjunto adverbial(complemento dispensável) e complemento terminativo(complemento necessário) . O problema da classificação dos verbos,  seus complementos e o ofício de cada um destes tem sido objeto de sérias controvérsias(...)"

4) A Nomenclatura Gramatical Brasileira (NGB) classifica como adjuntos adverbiais

5 ) Bechara (2006,p. 52) questiona a NGB :" Irei à cidade,
Voltei do trabalho,tínhamos a rigor de falar em verbos TRANSITIVOS ADVERBIAS,isto é, os que pedem como complemento uma expressão adverbial."

6) Rocha Lima (2000,p.252-3),na sua gramática,  diferencia adjunto advervial (termo acessório ) de complemento circunstacial (termo integrante). Para Rocha Lima, o COMPLEMENTO CIRCUSTANCIAL é  "indispensável a construção do verbo" :
Irei a Roma.
Morar em Paquetá.

7) Já Celso Pedro Luft (2002) classifica como objeto indireto, já que "circustancial é classificação semântica e não sintática".

8) Adriano da Gama Kury (1991) chama os verbos de movimento ou de situação  (chagar,ir,partir,seguir,vir,voltar, ficar ,morar,etc.) de verbos transitivos adverbiais quando pedem um COMPLEMENTO ADVERBIAL DE LUGAR que complete o sentido desses verbos. Nos diz ainda que José Oiticica denomina "verbos adverbiados". 

9) Em concursos públicos, as bancas seguem a NGB e a maioria dos gramáticos que classificam como adjunto adverbial, sendo o verbo intransitivo. Porém...a banca FCC segue a visão de Luft, classificando como verbo transitivo indireto e o complemento verbal, como objeto indireto. (Pestana,2019)

10) Enfim, o assunto é complexo, mesmo depois de muito tempo, ainda não se chegou a um consenso sobre a classificação do complemento desses verbos. É, provavelmente, a polêmica vai continuar. 

Referências 


BECHARA, Evanildo.  Lições de português  pela análise sintática . 18.ed. Rio de Janeiro: Lucerna, 2006.

FERNANDES, Francisco. Dicionário de verbos e regimes. 37.ed. São Paulo: Globo, 1990.

KURY,  Adriano da Gama. Novas lições de análise sintática . 5.ed. São Paulo : Ática, 1991. 

LIMA, Rocha. Gramática normativa da língua portuguesa. 38.ed. Rio de Janeiro. José Olympio, 2000.

LUFT, Celso Pedro. Dicionário prático de regência verbal. 8.ed. São Paulo : editora Ática, 2002. 

PEREIRA, Eduardo Carlos. Gramática expositiva : curso superior.  94.ed. São Paulo: Companhia editora nacional, sem data. 

PESTANA, Fernando. A gramática para concursos públicos. 4.ed.  Rio de Janeiro. Editora método,  2019.

segunda-feira, 20 de julho de 2020

Predicativo do adjunto adverbial de companhia, do adjunto adnominal e do predicativo


A tradição gramatical nos diz que há predicativo do sujeito e dos objetos direto e indireto.


O estudioso Cláudio Cezar Henriques(2005)  nos mostra os seguintes predicativos:Predicativo do adjunto adverbial de companhia, do adjunto adnominal e do predicativo.


A)  Não saio com você desarrumada .

 Desarrumada é predicativo do núcleo do adjunto adverbial de companhia, VOCÊ.

B) Não deixarei que tirem retrato de mim nua.

Nua é predicativo do núcleo do adjunto adnominal, MIM.

CNo romance que escrevi, ela era minha irmã já envelhecida

Envelhecida é predicativo do núcleo do predicativo, IRMÃ.

Essas classificações ainda não são usuais nos compêndios de gramática.

Referências 

HENRIQUES, Cláudio Cezar. Sintaxe portuguesa para a linguagem culta contemporânea: teoria e prática.  5.ed. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2005.

OS QUATRO CAVALEIROS DO APOCALIPSE : PORQUÊ, PORQUE, POR QUÊ e POR QUE

Quem nunca teve dúvidas de quando usar um desses quatros porquês? Se tem um assunto espinhoso de língua portuguesa é este.  1) A...