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sábado, 1 de agosto de 2020

SOFRÊNCIA OU SOFRENÇA: Uma palavra SÓ existe se estiver registrada no VOLP ?


 Uma palavra SÓ existe se estiver registrada no VOLP ? 


1)) E com constância irritante que se lê : tal palavra SÓ existe se estiver no VOLP.  O ensino na Internet é cheio da sofrência. Como JÁ disse antes, o VOLP não tem valor legal ou oficial segundo a própria ABL, como afirma o blog dicionário e gramática , mas, aqui no Brasil, serve de referência mesmo assim. 

2)) Alguns chegam ao absurdo de divulgar uma lenda:  uma palavra SÓ tem existência na língua se tiver no VOLP. Potoca das grandes. Quantas palavras não foram registradas no VOLP? Procure dona de casa no VOLP... Não achou. Isso que dizer que a palavra não existe ??? 

3)) Sofrência (sofrimento + carência= sofrência) é um neologismo, ou seja, palavra criada recentemente. Forma-se da união entre a palavra “sofrimento” e a palavra 
“carência”;  é utilizado como substantivo ou adjetivo de acordo com o contexto. Esse processo de formação de palavras é chamado de amálgama, ou seja, utiliza partes de duas palavras distintas para formar uma nova. É um neologismo utilizado ainda somente em situações informais, não sendo ainda aceito em contextos mais formais.
 A palavra é associada a músicas de "dor de cotovelo e chifre". Obviamente, ela não está no VOLP ainda, porém com o uso ao longo dos anos, ela poderá está numa edição futura do VOLP. Mas daí dizer que ela não existe... É SÓ procurar na Internet, lugar de largo uso da palavra. 

4)) Já sofrença (sofrimento) está registrada no VOLP. Segundo o Dicionário Informalo Dicionário de Morais da Língua Portuguesa, de 1813, já registrava o termo escrito com "ç". Todavia seu uso já era considerado antiquado naquela época . Dela surgiu sofrimento

5)) Portanto, mesmo não estando no VOLP, sofrência existe, muita gente do Brasil sabe bem disso, sobretudo, os fãs da cantora Marília Mendonça, que é a rainha da sofrência, é não da sofrença. Ou será das duas? pouco importa, sendo o sofrimento o mesmo independente da palavra.

domingo, 5 de julho de 2020

A vista /à vista.

Quando usar à vista e a vista


Com facilidade encontramos nas redes sociais inúmeras páginas que dão dicas de português.  É também com facilidade que encontramos inúmeras dicas erradas. O exemplo acima é a prova . Sem contexto não podemos dizer que estão erradas.


1) Vendeu à vista. (Vendeu a dinheiro).

2) Vendeu a vista. (Vendeu a córnea, ou os olhos).

Dependendo do uso do acento grave, haverá mudança de sentido e de análise sintática.

 Entenda que na expressão adverbial "à vista" não ocorre crase. Na verdade, nas expressões  adverbiais, prepositivas e conjuntivas há só o acento grave, ele é usando para indicar que esse "à" é pura preposição, como diz Bechara (2009), assim como Manoel Ribeiro(2011) e Rocha Lima (2000) . Said Ali explica com riquezas de detalhes no livro Meios de expressão e alterações semânticas(1930), além de dizer que o "à" é somente preposição, diz também que ele deve ser pronunciado de forma aberta. Além disso, o acento grave serve para retira a ambiguidade das frases, como foi visto acima. Agora, vamos analisar as frases anteriores com relação à análise sintática: 

1)Vendeu à vista. ( adjunto adverbial )

2) Vendeu a vista. (objeto direto).

Veja outro exemplo no qual o acento retira a ambiguidade da frase:

3) vendo à vista ( pagamento imediato).

4) vendo a vista (observando a paisagem).

Portanto, dou uma dica para quem deseja aprender português: compre uma boa gramática e faça muitos exercícios. Há muitos professores por aí ensinando de qualquer jeito. 


OBSERVAÇÃO : Qualquer erro de gramática (ortografia, pontuação, concordância, etc) ou de teoria, por favor, faça um comentário apontando e será corrigido. Como qualquer ser humano podermos errar. Ficarei grato com a ajuda que venha para melhorar. 



Referências 

BECHARA, Evanildo.  Moderna gramática portuguesa. 37.ed. Rio de Janeiro: Nova fronteira & Lucerna, 2009.

LIMA, Rocha. Gramática normativa da língua portuguesa. 38.ed. Rio de Janeiro. José Olympio, 2000.

RIBEIRO, Manoel P. Gramática aplicada da língua portuguesa. 20.ed. Rio de Janeiro: Metáfora editora , 2011.



OS QUATRO CAVALEIROS DO APOCALIPSE : PORQUÊ, PORQUE, POR QUÊ e POR QUE

Quem nunca teve dúvidas de quando usar um desses quatros porquês? Se tem um assunto espinhoso de língua portuguesa é este.  1) A...