Mostrando postagens com marcador Bechara. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Bechara. Mostrar todas as postagens

domingo, 24 de janeiro de 2021

ETC. e a vírgula

1) Atualmente é  facultativo o uso da vírgula antes de etc., no entanto,  os grandes gramáticos  em sua maioria colocam vírgula antes de etc.

2) Cegalla(2008) esclarece : "ETC. Abreviatura da expressão latina et cetera 
(= e as demais coisas). 1.Costuma-se usar vírgula antes dessa abreviatura, embora ela contenha a conjunção e: Consertam-se fogões, geladeiras, máquinas de lavar, etc."

3) Aliás, a defesa para não se usa a vírgula antes de etc. é etimológica, quem apoia tal doutrina, argumenta que não se usa vírgula antes da conjunção "e" (et). Todavia, se essa verdade etimológica for usada como justificativa, devemos abolir o "se" de suicida-se por ser redundante. Continua Cegalla: "este uso da vírgula [antes de etc.] é abonado pelo Vocabulário Ortográfico da ABL e por filólogos e gramáticos (Aurélio, Celso Cunha, Bechara, Gama Kury). Todavia, não constitui erro omitir 
o dito sinal de pontuação, neste caso. Há gramáticos, como Pasquale Cipro Neto, e lexicógrafos, como Houaiss, que não o usam." 
Cegalla utiliza a vírgula antes de etc. em vários verbetes do seu Dicionário de dificuldades da língua portuguesa.

4) Para Costa (2004), a vírgula é obrigatória: "quanto à pontuação, a rigor, seria etimologicamente inconcebível o uso da vírgula antes de etc.,(...)". Além disso, Arnaldo Niskier (apud Costa, 2004) diz que a vírgula deve ser usada. E que o argumento de que originalmente a palavra já contém o "e"(et) não vale, pois o que conta é o acordo ortográfico vigente, e, diga-se de passagem, já não falamos latim, mas sim português.
Mesmo o novo Acordo Ortográfico (2008) traz a vírgula antes do etc

5) Saconni (2008) também considera a vírgula obrigatória: "não são poucos que desconhecem o PVOLP (pequeno vocabulário da língua portuguesa, que traz a vírgula em todos os seus parágrafos);
daí encontramos a referida abreviatura sem a competente é necessária  vírgula anteposto até em compêndios que versam sobre a língua portuguesa."

6) William R. Cereja e Thereza C. Magalhães (2008) consideram obrigatório o uso da vírgula: "(...) o acordo ortográfico em vigor no Brasil exige que empreguemos etc. precedido de vírgula."

7) Não se deve usar a conjunção "e" antes de etc.:
Ex.: Comprou leite, carne, suco e etc. (errado). 
As pessoas escrevem assim porque vêem etc. como uma palavra, não pensam  no seu sentido etimológico. É por isso que se coloca "e" antes de etc. 

8) A vírgula é recomendada antes de etc., já que a pronúncia também colabora pelo uso da vírgula:
Ex.: Comprou leite, carne, suco  etc.
Ex.: Comprou leite, carne, suco, etc.
A segunda frase soa melhor, porque sempre fazemos uma pausa. 

9) Alguns proliferadores de mitos gramaticais dizem que etc.  deve se referir só a objetos e coisas. Mas isso não é verdade. "Pode-se empregar etc., mesmo com referência a pessoas e animais."(Cegalla,2008).
Ex.: No museu havia gatos ,cães, aves, etc.

10) Pelo uso nos seus livros, grandes mestres da gramática normativa, que não tocaram no assunto, nos dão à ideia de vírgula: 

A) facultativa: Mattoso Câmara Jr. (1972, 1981, 2002) e Said Ali (1964). Novos autores de gramáticas  preferem não usar, mesmo admitindo que o uso é facultativo: Fernando Pestana (2019), Marcelo Rosenthal (2011), Manoel Pinto Ribeiro (2011).

 B) obrigatória: Celso Cunha (1980), Cunha/Cintra (2001), Eduardo Carlos Pereira (s/d), Rocha Lima (2000),  Evanildo Bechara(2002, 2006, 2009), Silveira Bueno (1968), Epifânio Dias (1970), Adriano da Gama Kury (1972, 1991), Sousa da Silveira (1983), Heráclito Graça (2005 [1903]), Celso Pedro Luft (2002), Gladstone Chaves de Melo (1976), Mário Barreto (1954,1980), José Joaquim Nunes (1975), Luiz A.P. Victoria (1954), Ismael de Lima Coutinho (1976) e Francisco Fernandes (1990). Outros estudiosos que usam a vírgula: Otelo Reis (1994), Jarbas Cavalcante de Aragão (1944), N.Zanotto (1986), Eduardo Martins (1997), T.H.Maurer Jr. (1968), Leodegário A. de Azevedo Filho (2004), Horácio Rolim de Freitas (1997), Platão/Fiorin (2007) e Othon M.Garcia (2006).

Polêmica, polêmica...da Língua Portuguesa culta. Mesmo hoje o uso sendo facultativo, o assunto ainda causa divergência.

Referências 
ALI, M.Said.Gramática secundária e Gramática histórica da língua portuguesa. Brasília: UnB, 1964. 
BARRETO, Mário. Novos estudos da língua portuguesa. 3. ed. Rio de Janeiro, Presença, 1980.
BARRETO, Mário. Factos da língua portuguesa. 2. ed. Rio de Janeiro, Org. Simões, 1954.
BECHARA, Evanildo.  Gramática escolar da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Lucerna, 2002.
BECHARA, Evanildo.  Moderna gramática portuguesa. 37.ed. Rio de Janeiro: Nova fronteira & Lucerna, 2009.
BECHARA, Evanildo.  Lições de português  pela análise sintática .18.ed. Rio de Janeiro: Lucerna, 2006.
BUENO, Silveira. Gramática normativa da língua portuguesa: curso superior.7.ed. São Paulo: Saraiva,1968.
CÂMARA JR.,Joaquim Mattoso.  Dicionário de linguística e gramática. 9.ed. Petrópolis : Vozes,1981.
CÂMARA JR.,Joaquim Mattoso.  Manual de expressão oral & escrita . 21. ed. Petrópolis: Vozes,2002.
CÂMARA JR., Joaquim Mattoso.  Princípios de linguística geral. 4.ed. Rio de Janeiro : Livraria Acadêmica ,1972.
CEGALLA, Domingos Paschoal. Dicionário de dificuldades da língua portuguesa. 2.ed.Rio de Janeiro : lexikon; Porto Alegre,RS: L&PM,2008.
CEREJA, William Roberto. MAGALHÃES, Thereza Cochar. Português: linguagens : vol.3: ens. médio.5.ed.São Paulo: atual, 2008.
COSTA, José Maria da. Manual de redação profissional. 2.ed.Campinas: Millenium,2004.
COUTINHO, Ismael de Lima. Gramática histórica. 7.ed.Rio de Janeiro : Ao livro técnico, 1976. 
CUNHA, Celso Ferreira da. Gramática da língua portuguesa. 7.ed. Rio de Janeiro : FENAME, 1980.
CUNHA, Celso & CINTRA , Lindley. Nova gramática do português contemporâneo. 3.ed. Rio de Janeiro : Nova fronteira, 2001.
DIAS, Augusto Epiphanio da Silva. Syntaxe histórica portuguesa. 5.ed. Lisboa: Livraria clássica editora , 1970.
FERNANDES, Francisco. Dicionário de verbos e regimes. 37.ed. São Paulo: Globo, 1990. 
FILHO, Leodegário A. de Azevedo. Descrição e funcionamento da língua portuguesa. Rio de Janeiro : H. P. Comunicação, 2004.
FIORIN,Luiz José; SAVIOLI,Francisco Platão.  Para entender o texto:leitura e redação. 17.ed.São Paulo :Ática, 2007. 
FREITAS, Horácio Rolim de . Princípios de Morfologia.4.ed.Rio de Janeiro : Oficina do autor , 1997. (Investigações linguísticas )
GARCIA,Othon M. Comunicação em prosa moderna . 26.ed.Rio de Janeiro : FGV,2006.
GÓES, Carlos. Syntaxe de concordância .6 ed. Rio de Janeiro, Renato Americano, 1935.
GÓES, Carlos. Syntaxe de regência.3 ed. Petrópolis, L.Silva & Cia, 1931.

KURY,  Adriano da Gama, Gramática fundamental da língua portuguesa:nível médio. São Paulo : Lisa-livros irradiantes S.A.,1972.
KURY,  Adriano da Gama. Novas lições de análise sintática . 5.ed. São Paulo : Ática, 1991. 
LIMA, Rocha. Gramática normativa da língua portuguesa. 38.ed. Rio de Janeiro. José Olympio, 2000.
LOBATO, Lúcia Maria Pinheiro.  Os verbos auxiliares em português contemporâneo.Critérios de Auxiliaridade. In Análises linguísticas,  p.27-91. Petropólis: Vozes, 1975.
LUFT, Celso Pedro. Dicionário prático de regência verbal. 8.ed. São Paulo : editora Ática, 2002. 
MARTINS, Eduardo.  Manual de redação e estilo de O Estado de São Paulo . 3.ed.São Paulo : O Estado de São Paulo, 1997. 
MAURER JR,Theodoro Henrique. O infinito flexionado português. São Paulo, USP,1968.
MELO, Gladstone Chaves de . Ensaio de estilística da língua portuguesa. Rio de Janeiro : Padrão,  1976. 
NUNES, José Joaquim. Compêndio de gramática histórica portuguesa(fonética e morfologia ). 8.ed.Lisboa: Livraria clássica editora,1975.
PEREIRA, Eduardo Carlos. Gramática expositiva : curso superior.  94.ed. São Paulo : Companhia editora nacional, sem data. 
PESTANA, Fernando. A gramática para concursos públicos. 4.ed.  Rio de Janeiro. Editora método,  2019.
REIS,Otelo. Breviário da conjugação de verbos. 53.ed.Rio de Janeiro : Francisco Alves,1994.
RIBEIRO, Manoel P. Gramática aplicada da língua portuguesa. 20.ed. Rio de Janeiro: Metáfora editora , 2011.
ROSENTHAL, Marcelo. Gramática para concursos.5.ed.Rio de Janeiro.  Campus concursos, 2011.
SACONNI, Luiz Antonio. Nossa gramática completa Saconni: teoria e prática.  29.ed. São Paulo : Nova geração, 2008.
SILVEIRA, Sousa da. Lições de português.  9.ed. Rio de Janeiro :Presença, 1983. 
VICTORIA, Luiz A. P.Dicionário de dificuldades , erros e definições de português. Rio de Janeiro : Pongetti,1954.
ZANOTTO, Normelio. Estrutura mórfica da língua portuguesa. Caxias do Sul, EDUCS, 1986. 

quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

VARIAÇÕES LINGUÍSTICAS

1)) A língua portuguesa no Brasil não é homogênea, como nenhuma língua é. As variações ocorrem por causa de diferentes fatores históricos, regionais, socioculturais e socioeconômicos. Essas variações acontecem tanto na parte fonética quanto na parte morfológica, sintática, léxica e semântica.
 2)) Vejamos uma questão sobre isso: (Nucepe/Uepi-SEMAG- Professor de Língua Portuguesa-2020)  
 Vantagens da unificação ortográfica 
Patenteiam-se as vantagens de uma unificação ortográfica pelo esforço por que  de há muito vêm lutando as duas academias, até chegar a este momento histórico de sete nações independentes se reunirem para a concretização desse propósito comum. A possibilidade dessa unificação e os resultados positivos de toda sorte que dela se hão de colher são atestados pelas nações em cujas línguas os textos são escritos conforme uma unificação ortográfica. Assim se apresentam, por exemplo, os textos — oficiais ou não — em espanhol, ainda que editados na Espanha, no México ou na Argentina, guardadas as particularidades linguísticas que distinguem cada uma dessas variedades. 
(BECHARA, Evanildo. A nova ortografia. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2008, pág. 27 - ADAPTADO) 
26. No segundo parágrafo do texto, a referência às variedades linguísticas regionais de Espanha, México e Argentina, nações que têm o espanhol como língua oficial, sinaliza que essas variedades são de natureza 
a) diafásica. 
b) diatópica. 
c) diacrônica. 
d) diastrática. 
e) situacional.

Típica questão para professores-concurseiros  de língua portuguesa. Vamos entender cada uma das alternativas sobre variações linguísticas: 
A) variação diafásica (situacional) é quando a língua apresenta mudanças dependendo do contexto. Ninguém usar o mesmo modo de falar num bar e na igreja. Assim o falante num contexto poderá ser formal (Faculdade, trabalho, cerimônia de casamento ou formatura dependendo da intimidade com os interlocutores )ou informal(amigos, família,  bar). Lembre-se de que tanto a língua falada quanto à escrita podem ser formal e informal , será o contexto que definirá. Ex.: Você escreve um e-mail formal para um desconhecimento. Para um amigo, poderá utilizar uma linguagem informal.  

B) GABARITO
 A variação diatópica é quando uma língua apresenta variações de uma região para outra ( geográfica,  regional , dialetal) . Essas variações se relacionam com o léxico, com construções sintáticas e ao sentido das palavras. Assim a língua espanhola é a mesma , porém com mudanças de um país para outro. 

C) A variação diacrônica (histórica) é quando uma língua sofre mudanças através do tempo. E quando dois estágios da língua podem ser comparados para demostrar essa mudança. 

D) A variação diastrática (social,sociocultural) a língua apresenta variações dependendo das camadas sociais distintas (socioeconômico) e grupos sociais variados (profissionais da mesma área : políticos, jornalistas, jogadores, etc.). Gírias e jargões são muito usados.

E) É uma pegadinha da banca, tem relação com a variação diafásica.

Bacana esta questão.

              Referências 
BECHARA, Evanildo.  Moderna gramática portuguesa. 37.ed. Rio de Janeiro: Nova fronteira & Lucerna, 2009.
CUNHA, Celso & CINTRA , Lindley. Nova gramática do português contemporâneo. 3.ed. Rio de Janeiro : Nova fronteira, 2001.
PESTANA, Fernando. A gramática para concursos públicos. 4.ed.  Rio de Janeiro. Editora método,  2019.
RIBEIRO, Manoel P. Gramática aplicada da língua portuguesa. 20.ed. Rio de Janeiro: Metáfora editora , 2011.

 

sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

ADVÉRBIOS podem exercer a função de SUJEITO ?

Dentro da tradição gramatical,  o advérbio normalmente só exerce função de adjunto adverbial.

Porém,  além de poder ser predicativo do sujeito (A vida é ASSIM), ele poderá ser SUJEITO,  segundo os  estudiosos: Evanildo Bechara(2006), Eneida Bomfim(1988), Cláudio Cezar Henriques(2005). Vejamos exemplos da estudiosa Eneida Bomfim, os cinco primeiros, e do gramático Evanildo Bechara, os dois últimos:
 1) HOJE e AMANHÃ são dias de festa. 
2) ONTEM foi um dia péssimo. 
3) AMANHÃ será outro dia.      
4) AQUI é o melhor lugar do mundo. 
5)  continua um paraíso.
6) HOJE é segunda-feira. 
7) AQUI é ótimo para a saúde.

Segundo Henriques (2005): "A função de sujeito não é privativa de substantivos, pronomes e numerais. Os advérbios de base nominal e pronominal também podem desempenhar esta é outras funções que tradicionalmente não lhe são atribuídas.

Ex.: Não gosto DAQUI. Advérbio de base pronominal como objeto indireto.  

Ex.: O filme de HOJE está bom. Advérbio de base nominal como núcleo de adjunto adnominal : a locução adjetiva , neste caso , é formada por preposição + advérbio.

Ex.: ALI parece sujo. Advérbio de base pronominal como sujeito."

Só para fechar: Adriano da Gama Kury (1991) apesar de não mencionar explicitamente, faz uma citação com advérbio como sujeito :
Ex.: AMANHÃ é feriado nacional. (Aníbal Machado).

Referências 

BECHARA, Evanildo.  Lições de português  pela análise sintática .18.ed. Rio de Janeiro: Lucerna, 2006.
BOMFIM, Eneida. Advérbios. São Paulo : Ática, 1988.
HENRIQUES, Cláudio Cezar. Sintaxe portuguesa para a linguagem culta contemporânea: teoria e prática. 5.ed. Rio de Janeiro : EdUERJ,2005.
KURY,  Adriano da Gama. Novas lições de análise sintática.5.ed. São Paulo : Ática,1991. 

sábado, 5 de dezembro de 2020

FATOS DA LINGUAGEM, de HERÁCLITO GRAÇA.

Para quem é estudioso da língua,  vale a pena ter esta bela edição de FATOS DA LINGUAGEM (2005 [1904]), de Heráclito Graça, produzida pela Academia Brasileira de Letras(ABL), cujo o diretor é Evanildo Bechara. Esta é uma edição fac-símile muito bem feita, tendo todo um cuidado editorial . As fontes usadas são muito bonitas. 
O livro é composto de artigos publicados em jornal, depois transformado em livro, cuja a primeira edição é de 1904, a segunda de 1968 e esta de 2005. Basicamente, no livro, Graça crítica algumas lições errôneas de Cândido de Figueiredo,  consultor de dúvidas gramaticais num outro jornal. 
Portanto, o livro é um clássico da filologia brasileira do início do século XX, tendo um valor histórico, sendo fácil encontrá-lo nos sebos virtuais.

domingo, 8 de novembro de 2020

A pronúncia da palavra SINTAXE

Há divergências entre os gramáticos e dicionaristas com relação à pronúncia de sintaxe


1) É bem sabido daqueles que estudam a nossa amada língua que a letra X tem variados sons :
A) tóxico  (ks/cs)
B) êxito  (z)
C) têxtil  (s)
D) sintaxe (ss)
E) enxame (x)

2) O Vocabulário ortográfico da língua portuguesa (VOLP), da ABL, Silveira Bueno, Antenor Nascentes (Dicionário da língua portuguesa (ABL)) e os dicionários Michaelis e Priberam confirmam que o X em sintaxe tem som de ss

3) Entretanto o dicionário  Caldas Aulete e o gramático  Cegalla (2008, p.385) abonam a pronúncia de (cs)[sintáksi] também , além de ss . Já Evanildo Bechara (2009,p.80) e Manoel P. Ribeiro (2011, p.64) dizem que o som é  de  s. 

4) Para completar vejamos esta resposta do site Ciberdúvidas, de13 março 2002,  sobre a pronúncia de x em sintaxe: " À exceção do dicionário Aulete digital, que regista também a pronúncia /cs/ de sintaxe, os demais dicionários de referência para a língua portuguesa atestam apenas a pronúncia com /ss/. É o caso do Dicionário Houaiss, do Grande Dicionário da Língua Portuguesa, do dicionário da Porto Editora, do Michaelis e do Dicionário da Língua Portuguesa da Texto Editora.
Sintaxe é palavra atestada, pelo menos, desde 1699 (datação do Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, pelo que se torna provável que foi pela via latina que ela se enraizou em português, com a prolação similar a  próximo e a máximo, por exemplo. Sinta[ss]e  é, portanto, a pronúncia tradicional e a que é geralmente recomendada na lexicografia, incluindo os vocabulários ortográficos existentes, tanto nos posteriores ao Acordo Ortográfico de 1990,* como nos anteriores**.
* Vocabulário Ortográfico e Remissivo, de Gonçalves Viana, 1913
Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, Academia das Ciências de Lisboa, 1940
Vocabulário da Língua Portuguesa, de Rebelo Gonçalves, 1966
**Vocabulário Ortográfico do Português, ed. Portal da Língua Portuguesa
Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, coord. de João Malaca Casteleiro (Porto Editora, na Infopédia )
Vocabulário Ortográfica da Língua Portuguesa, da Academia da Ciências de Lisboa (em linha, 2018)
Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, da Academia Brasileira de Letras.

Também se encontra a indicação de que o x de "sintaxe" se pronuncia [s] no Manual de Língua Portuguesa, de Paul Teyssier (Coimbra Editora, 1989, p. 59) .
A pronúncia de sintaxe está descrita com [s]  também no livro Fonética do Português Europeu, de António Emiliano (Guimarães Editores, 2009, p. 106), sendo este vocábulo associado a palavras como aproximar, reflexão,  máximo e próximo.
Finalmente, refira-se que no Acordo Ortográfico de 1945 (Documento n.º 2 : Bases Analíticas do Acordo Ortográfico de 1945 – 6) já se fazia referência à pronúncia de sintaxe, distinguindo a pronúncia da sua origem etimológica: «sintáctico, como sintaxe (x=ss, mas etimologicamente cs)» 
Carla Marques/Carlos Rocha"
 
5) Acrescento que o acordo de 1945 não foi seguido pelos brasileiros. Mas o de 1943, continuou em vigor e com acréscimos com a reforma de 1971. No documento de 1943, colabora a pronúncia ss. E, por causa de uma divergência, cria-se uma treta danada.
 
Referências 
 
BECHARA, Evanildo.  Moderna gramática portuguesa. 37.ed. Rio de Janeiro: Nova fronteira & Lucerna, 2009.

BUENO, Silveira. Gramática normativa da língua portuguesa: curso superior.7.ed. São Paulo: Saraiva,1968.


CEGALLA, Domingos Paschoal. Dicionário de dificuldades da língua portuguesa. Edição de bolso. 2.ed.Rio de Janeiro : lexikon; Porto Alegre,RS: L&PM,2008.


NASCENTES, Antenor. Dicionário da língua portuguesa(ABL). Bloch editores, sem ano. 


PESTANA, Fernando. A gramática para concursos públicos. 4.ed.  Rio de Janeiro. Editora método,  2019.

'Pronúncia do x: xenofobia e sintaxe. Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, Consultado em 06-07-2020.

RIBEIRO, Manoel P. Gramática aplicada da língua portuguesa. 20.ed. Rio de Janeiro: Metáfora editora , 2011.

quinta-feira, 29 de outubro de 2020

O acento grave (`)


Esse é um dos acentos mais mal explicados das gramáticas, daí surgirem inúmeras confusões. Normalmente nas grandes gramáticas, o ensino resume-se a só isso: "este acento serve para assinala a contração da preposição A com o artigo A, formando a crase. Pronto. "


1) Além de marcar a crase, ele tem outras utilidades .

2) Primeiro vamos desfazer um equívoco : crase não é sinônimo de acento grave . Ok?! Crase é  a fusão de preposição A (exigida pelo verbo ou por um nome) com artigo A ou com pronome demonstrativo ou relativo. O acento é usado para marcar esse fenômeno. 

3) Nas locuções adverbiais, prepositivas , conjuntivas e adjetivos não ocorre crase . Usa-se o acento grave para:
*assinalar a pura preposição dessas locuções ;
** marca a pronúncia aberta do À;
***Para evitar ambiguidade .

4 ) Em "Meios de expressão e alterações semânticas", Said Ali explica o assunto com profundida . 

5 ) Veja uma questão sobre como é importante diferenciar o fenômeno crase do acento grave :

Refiro-me às suas irmãs, não às minhas. 

A) o acento indicativo de crase é facultativo em "as suas irmãs? Errado . É obrigatório . Agora a crase é facultativa!  Veja : Refiro-me a suas irmãs, não às minhas. Agora observe que a crase é obrigatória diante do pronome  substantivo minha. JÁ que não posso escreve: Refiro-me a suas irmãs, não a minhas. (Errada ).

6) É por essas e outras explicações mal dadas que o ensino vai mal nos nossos melhores compêndios gramaticais que servem de guia para nossos professores. Nada como o MEC organizar uma gramática coerente, de linguagem fácil é cativante, e bem organizada, como é a proposta da grande gramática Amini B. Hauy. 

 Referências 
BECHARA, Evanildo.  Gramática escolar da língua portuguesa. 1.ed. Rio de Janeiro: Lucerna, 2002.

BECHARA, Evanildo.  Moderna gramática portuguesa. 37.ed. Rio de Janeiro: Nova fronteira & Lucerna, 2009.

PESTANA, Fernando. A gramática para concursos públicos. 4.ed.  Rio de Janeiro. Editora método,  2019.

RIBEIRO, Manoel P. Gramática aplicada da língua portuguesa. 20.ed. Rio de Janeiro: Metáfora editora , 2011.

domingo, 9 de agosto de 2020

Complemento verbal locativo?


Como classificar o complemento dos verbos que necessitam de um termo locativo ? 

Adjunto adverbial, complemento circustancial, complemento terminativo, objeto indireto , objeto indireto adverbial, objeto indireto circustancial,  objeto indireto locativo ?

A classificação dos complementos de natureza adverbial 

1) Muitas classificações tanto quanto as divergências a cerca do assunto. A classificação dos complementos de natureza adverbial causa diferentes entendimentos e desentendimentos entre os nossos mais abalizados gramáticos normativos. Os verbos de movimento ou de situação  (chegar, ir, partir, seguir, vir, voltar, ficar, morar, etc.) pedem um COMPLEMENTO ADVERBIAL DE LUGAR, e não um ADJUNTO ADVERBIAL. 
Como o verbo ir exige a preposição A para ligá-lo ao termo locativo, muitos gramáticos veem aí um complemento verbal (obrigatório) e não um adjunto adverbial (dispensável ).

2) Entenda: alguns verbos exigem um termo locativo para completa o seu sentido. A ausência de complemento para o verbo ir deixaria a frase  sem sentido:
Ir a Belém 
Ir  (onde?)

Por isso, não poderíamos classificar o verbo ir como intransitivo (sentido completo), pois sem o termo locativo o sentido ficaria incompleto. 

3) Entretanto, como adverte Eduardo Carlos Pereira: "entre o complemento terminativo e o circunstancial nem sempre há limites rigorosos." E Francisco Fernandes (1990), no Dicionário de verbos e regimes, afirma que "não é fácil delimitar fronteiras entre adjunto adverbial(complemento dispensável) e complemento terminativo(complemento necessário) . O problema da classificação dos verbos,  seus complementos e o ofício de cada um destes tem sido objeto de sérias controvérsias(...)"

4) A Nomenclatura Gramatical Brasileira (NGB) classifica como adjuntos adverbiais

5 ) Bechara (2006,p. 52) questiona a NGB :" Irei à cidade,
Voltei do trabalho,tínhamos a rigor de falar em verbos TRANSITIVOS ADVERBIAS,isto é, os que pedem como complemento uma expressão adverbial."

6) Rocha Lima (2000,p.252-3),na sua gramática,  diferencia adjunto advervial (termo acessório ) de complemento circunstacial (termo integrante). Para Rocha Lima, o COMPLEMENTO CIRCUSTANCIAL é  "indispensável a construção do verbo" :
Irei a Roma.
Morar em Paquetá.

7) Já Celso Pedro Luft (2002) classifica como objeto indireto, já que "circustancial é classificação semântica e não sintática".

8) Adriano da Gama Kury (1991) chama os verbos de movimento ou de situação  (chagar,ir,partir,seguir,vir,voltar, ficar ,morar,etc.) de verbos transitivos adverbiais quando pedem um COMPLEMENTO ADVERBIAL DE LUGAR que complete o sentido desses verbos. Nos diz ainda que José Oiticica denomina "verbos adverbiados". 

9) Em concursos públicos, as bancas seguem a NGB e a maioria dos gramáticos que classificam como adjunto adverbial, sendo o verbo intransitivo. Porém...a banca FCC segue a visão de Luft, classificando como verbo transitivo indireto e o complemento verbal, como objeto indireto. (Pestana,2019)

10) Enfim, o assunto é complexo, mesmo depois de muito tempo, ainda não se chegou a um consenso sobre a classificação do complemento desses verbos. É, provavelmente, a polêmica vai continuar. 

Referências 


BECHARA, Evanildo.  Lições de português  pela análise sintática . 18.ed. Rio de Janeiro: Lucerna, 2006.

FERNANDES, Francisco. Dicionário de verbos e regimes. 37.ed. São Paulo: Globo, 1990.

KURY,  Adriano da Gama. Novas lições de análise sintática . 5.ed. São Paulo : Ática, 1991. 

LIMA, Rocha. Gramática normativa da língua portuguesa. 38.ed. Rio de Janeiro. José Olympio, 2000.

LUFT, Celso Pedro. Dicionário prático de regência verbal. 8.ed. São Paulo : editora Ática, 2002. 

PEREIRA, Eduardo Carlos. Gramática expositiva : curso superior.  94.ed. São Paulo: Companhia editora nacional, sem data. 

PESTANA, Fernando. A gramática para concursos públicos. 4.ed.  Rio de Janeiro. Editora método,  2019.

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Complemento relativo vs objeto indireto



NGB (Nomenclatura gramatical brasileira,1959), que unificou a nomenclatura das gramáticas brasileiras, não faz distinção entre complementos verbais  preposicionados, ou seja, classificando todos os complementos introduzidos por preposição necessária como objetos indiretos. Mas alguns autores separam complemento relativo de objeto indireto.

 A maioria dos gramáticos segue a NGB, entretanto... lá vem polêmica...há dois gramáticos de peso, Rocha Lima e Evanildo Bechara, que fazem a separação entre complemento relativo(CR) e objeto indireto(OI).


  A estudiosa Vera L. Rodrigues(2003) é a favor da separação, seguindo o pensamento de Lima e Bechara. Já Olmar G. da Silveira (1996) argumenta que a questão necessita de estudos mais profundos. E Adriano da Gama Kury (1991) diz: " nem doutrinária, nem, muito menos, didaticamente,  nos parece aconselhável tal separação: em primeiro lugar, não se fez ainda, em nossa língua, o estudo definitivo que está por merecer o objeto indireto, apesar da tentativa de Rocha Lima (Uma Preposição Portuguesa); e a presença obrigatória da preposição sem valor cirscuntacial é suficiente para a caracterização estrutural dessa função sintática."

Objeto indireto(OI).

OI complementa verbos transitivos indiretos (VTI) e verbos transitivos diretos e indiretos (VTDI)  que necessitam de um complemento preposicionado. Aliás, para Lima (2000) e Bechara (2002,2009), os OIs representam à pessoa ou à coisa "a que se dirige ou destina a ação ou estado que o processo verbal expressa" (Lima,2000). São sempre introduzidos pelas preposições A (mais comum) e PARA, e podem se substituídos, na terceira pessoa, pelos pronomes átonos lhe/lhes

Dar esmola a um mendigo / Dar-lhe esmola (R.Lima)

Mandei flores para a noiva / Mandei-lhe flores(R.Lima).

Complemento relativo(CR)


 Já o CR é ligado ao verbo pelas preposições a ,com,de,em,etc. Tendo valor de objeto direto(OD) (Lima, 2000). Ele não representa o ser ou a coisa beneficiado ou prejudicado na ação verbal, mas o ser sobre o qual recai a ação. E não pode ser substituído por lhe/lhes, mas por pronome pessoal tônico ela (s)/ele(s) precedido da preposição exigida pelo verbo. 

Gosto de Alice.

Gosto-lhe(errado)

Gosto dela(correta)

Objeto indireto(OI) X   Complemento relativo(CR)


Semanticamente o CR está mais próximo do OD (o ser sobre o qual recai a ação.), mas formalmente está próximo do OI (pela exigência da preposição).

Amo você (OD). / gosto de você (CR)

5)) Como diferenciar  OI do CR quando introduzidos pela preposição A?

A)Prefiro ele a você.

B)Desejo felicidades a você.

A frase A não representa um ser beneficiado, não pode ser substituído por lhe, por isso é CR. Já a frase B representa o ser beneficiado e pode se substituído por lheDesejo-lhe felicidades.


 Bechara (2009) afirma que é quase nula a frequência numa frase de OD com CR

A jovem pôs os livros (OD)  na estante (CR).

Continua o eminente gramático dizendo que muitos verbos alternam a sua construção com OD ou CR :

ajudar a missa (OD) / ajudar à missa (CR).

Para LimaOI não se pode apresentar sob forma oracional, isto é , não existe oração subordinada objetiva indireta. Bechara diz o contrário.

  Apesar de Marcelo Rosenthal (2011) dizer que nos concursos públicos,  não é feita tal distinção (CR x OI), sendo os dois casos absorvidos pelo objeto indireto. No entanto...
Vejamos como isto caiu numa prova... 
(IBADE- PREF. DE VILHENA/RO-ADVOGADO-2019)
A oração subordinada transposta substantiva aparece inserida na oração complexa exercendo funções próprias do substantivo. Em qual das alternativas abaixo a oração subordinada transposta substantiva aparece exercendo função de objeto indireto? 

(AEnildo dedica sua atenção a que os filhos se eduquem (GABARITO)
(B) O pai viu que a filha saíra 
(C) Todos gostam de que sejam premiados 
(D) A verdade é que todos foram aprovados 
(E) Convém que tu estudes

Todas as frases da questão são da gramática do BecharaREPARE  na letra C...Isso mesmo, ela não foi considerada como OI, o que nos faz presumir que foi encarada pela banca como CR. Na reposta aos recursos, a banca usa a gramática do Bechara para defender o seu gabarito. Como não havia bibliografia específica para o concurso, esta questão deveria ter sido anulada.

Referências 

BECHARA, Evanildo.  Gramática escolar da língua portuguesa. 1.ed. Rio de Janeiro: Lucerna, 2002.

BECHARA, Evanildo.  Moderna gramática portuguesa. 37.ed. Rio de Janeiro: Nova fronteira & Lucerna, 2009.

KURY,  Adriano da Gama. Novas lições de análise sintática . 5.ed. São Paulo : Ática, 1991. 

LIMA, Rocha. Gramática normativa da língua portuguesa. 38.ed. Rio de Janeiro. José Olympio, 2000.

RODRIGUES, Vera Cristina. Dicionário Houaiss: Verbos, conjugação e uso de preposições. 1.ed. Rio de Janeiro : Objetiva ,2003.

ROSENTHAL, Marcelo. Gramática para concursos.5.ed.Rio de Janeiro.  Campus concursos, 2011.

SILVEIRA, Olmar Guterres da. Reflexão sobre os fatos de sintaxe(p.42-47). Padrões frasais do Português(p.48-51). In FREITAS ,Horácio Rolim de (org). A obra de Olmar Guterres da Silveira. Rio de Janeiro : Metáfora ,1996. 

terça-feira, 28 de julho de 2020

Qual o plural de franco-atirador ?



O plural de certas palavras compostas provocar divergência entre dicionaristas e gramáticos. A palavra em questão está neste meio. Então qual o plural de franco-atirador ?


1) O VOLP (da ABL) registra somente franco-atiradores como plural. E essa é também a opinião de Bechara e dos dicionários Caldas Aulete, Houaiss, Priberam e Michaelis

2) Entretanto...Cegalla (2008) aceita  apenas francos-atiradores. Mas Bechara (2018) não aceita este plural: "O substantivo masculino franco-atirador 
(= combatente que age por conta própria, não fazendo parte do exército legalmente constituído; aquele que luta por um ideal sem fazer parte de uma organização; membro de escola de tiro) tem como plural franco-atiradoresNeste composto, o elemento franco refere-se aos francos (do latim tardio frâncu pelo frâncico frank, ‘certo povo germânico’). Dessa forma não se deve pluralizar francos-atiradores."
Cegalla argumenta que franco está aqui no sentido de livre (um adjetivo, assim deveria variar) e não de francês (franco-americano), cujos os primeiros elementos não varia em grau (franco-americanos). Logo,tendo o sentindo de um adjetivo deveria variar francos-atiradores. Resumindo o uso consagrou franco-atiradores como plural, mas pela regra dos compostos (adjetivo+substantivo) deveria ser francos-atiradores. Enfim...uma daquelas exceções à regra. 

Referências 

BECHARA, Evanildo. 
Novo dicionário de dúvidas da língua portuguesa. 2. ed. - Rio de Janeiro : Nova Fronteira, 2018.

CEGALLA, Domingos Paschoal. Dicionário de dificuldades da língua portuguesa. Edição de bolso. 2.ed. Rio de Janeiro: lexikon; Porto Alegre, RS: L&PM, 2008.

sábado, 25 de julho de 2020

"Chegar em" nunca se pode usar ???

 

A maioria das gramáticas normativas brasileiras condenam "chegar em" e ponto. Fica a impressão no leitor que nunca se pode usar a preposição "em" com o verbo chegar.


 Isto está longe da verdade como ensina Evanildo Bechara (2002, 2009). Com complemento locativo não se usar a preposição em, mas a preposição a (Luft (2002), Bechara (2009), M.P. Ribeiro (2011), Cegalla (2008)), apesar de que na fala ,nas charges e nos quadrinhos, usa-se em, mas no estágio atual da língua culta não se aceita tal regência:

Chegou em casa (errado)

Chegou na casa (errado)

Chegou a casa (correta)

Então quando se usa "chegar em" na norma exemplar?
Usa-se a preposição "em" com valor de tempo:

Chegou na hora certa

Esse é o ensino de Evanildo Bechara(2002, 2009) e Manoel Pinto Ribeiro (2011). Luft (2002) diz que pode-se usar "chegar a ... (em),"no sentido de comparar-se, igualar-se: Ela não chegar à mãe  (em beleza). E no sentindo de bater, espancar: "chegar em".
Portanto, fica o ensino, pode-se utilizar "chegar em" com valor temporal.

#Obs.: A charge acima foi retirada do Google imagens.Não deixei link para o site original porque não encontrei. E pelas minhas pesquisas no Google, o site saiu do ar. 

Referências 

BECHARA, Evanildo.  Gramática escolar da língua portuguesa. 1.ed. Rio de Janeiro: Lucerna, 2002.

BECHARA, Evanildo.  Moderna gramática portuguesa. 37.ed. Rio de Janeiro: Nova fronteira & Lucerna, 2009.

CEGALLA, Domingos Paschoal. Dicionário de dificuldades da língua portuguesa. Edição de bolso. 2.ed.Rio de Janeiro : lexikon; Porto Alegre,RS: L&PM,2008.

LUFT, Celso Pedro. Dicionário prático de regência verbal. 8.ed. São Paulo : editora Ática, 2002. 

RIBEIRO, Manoel P. Gramática aplicada da língua portuguesa. 20.ed. Rio de Janeiro: Metáfora editora , 2011.


quarta-feira, 8 de julho de 2020

Tipos de gramáticas

Quais tipos de gramáticas existem?




Algumas pessoas ficam supresas quando eu digo que há diferentes tipos de gramáticas. Na cabeça delas há somente "aquela que é estudada na escola", ou seja, a famosa gramática normativa

Então vamos conhecer algumas: 

1) GRAMÁTICA HISTÓRICA:"é a ciência que estuda os fatos de uma língua, no seu desenvolvimento sucessivo, desde a origem até a época atual(...) remontando no passado as suas origens, ao seu período de formação,  explica-nos as transformações por que essa mesma língua passou, na sua evolução através do espaço e do tempo" (COUTINHO,1976,p.13)
Nem toda língua possui uma gramática histórica porque não tem passado, por exemplo: o esperanto e outras línguas artificiais. A língua portuguesa possui algumas gramáticas históricas, deixarei aqui quatro indicações :

A) Compêndio de gramática histórica, de José Joaquim Nunes.

B) A conhecidíssima Gramática histórica, de Ismael de Lima Coutinho.

C) Gramática histórica da língua portuguesa , do Mestre brasileiro Said Ali.

D) Sintaxe histórica portuguesa, do Epifânio Dias.


2) GRAMÁTICA DESCRITIVA: É uma disciplina científica  que estuda e registra  os fatos atuais da língua sem julgar se é certo ou errado , ela apenas descrever. 
Aqui no Brasil, indico às gramáticas descritivas do Mário Perini e a do Ataliba de Castilho


3) GRAMÁTICA NORMATIVA:  estuda os fatos da língua e prescreve o certo e o errado, impondo as regras de bem  escrever e de  falar, estas regras são baseadas nas obras de grandes escritores. 
É uma disciplina  não científica, sua finalidade é pedagógica, ( BECHARA, 2009,p.52) didática por excelência, que tem por objetivo ensinar as normas que em determinada época , representam o ideal da expressão correta (ROCHA LIMA, 2000,p.7). É a estudada na escola e também a de maior prestígio social.
As principais gramáticas normativas atuais são :

A) Moderna gramática portuguesa, do Evanildo Bechara.

B) Gramática Normativa da língua portuguesa, de Rocha Lima.

C)Gramática do Português contemporâneo, Cunha e Cintra.

D) Novíssima gramática, de Domingos Paschoal Cegalla. 
Creio que essas são quatro principais, porém há outras.

4) Além desses três tipos de  gramáticas , há ainda a gramática interna dos falantes, gramática comparativa (que estuda duas ou mais línguas do mesmo tipo, mostrando as semelhanças e diferenças existente entre elas (SAID ALI,1964,p.15), gramática de usos (analisar os usos reais, como faz Maria Helena de Moura Neves  na sua Gramática de usos do português), gramática gerativa (criada por Noam Chomsky ), gramática funcionalista (Halliday), etc. Há muitos tipos de gramáticas,  todas com um propósito específico de  estudar uma língua por diferentes ângulos, e enriquecer ainda mais o estudo dessa língua. 

OBSERVARÃO : Qualquer erro de gramática (ortografia, pontuação, concordância, etc) ou de teoria, por favor, faça um comentário apontando e será corrigido. Como qualquer ser humano podermos errar. Ficarei grato com a ajuda que venha para melhorar. 



Referências

ALI, M.Said.Gramática secundária e Gramática histórica da língua portuguesa.  Brasília : UnB, 1964. 

BECHARA, Evanildo.  Moderna gramática portuguesa. 37.ed. Rio de Janeiro: Nova fronteira & Lucerna, 2009.

COUTINHO, Ismael de Lima. Gramática histórica. 7.ed.Rio de Janeiro : Ao livro técnico, 1976. 

LIMA, Rocha. Gramática normativa da língua portuguesa. 38.ed. Rio de Janeiro. José Olympio, 2000.





terça-feira, 7 de julho de 2020

A preposição é o seu valor


A preposição pode mudar totalmente o sentido de uma frase 


A preposição tem normalmente valor semântico dentro de um contexto ( há casos em que ela serve como mero conector).  O uso de uma preposição por outra causa mudança  semântica :


*A filha fala do pai

*A filha fala com o pai 

 *A filha fala sobre o pai 

*A filha fala contra o pai 

A frase ("Só é permitida a entrada de máscara.") nos causa riso porque entendemos que somente a máscara poderá entra, e não a pessoa. Mas, na verdade, o que ocorre aqui no uso pragmático, ou seja, no uso real do cotidiano da língua, é uma figura de linguagem: a metonímia , isto é,  a parte pelo todo. A máscara é tomada como parte de nós. Se na escrita, a frase acima semanticamente estaria equivocada, no uso real, dentro de um contexto, por exemplo, num restaurante, entenderíamos que somente pessoas usando máscaras poderiam entrar,  e não só as máscaras, até porque máscaras não podem andar. Não haveria equívoco. Então é isso: o povo  perceber que a máscara faz parte do corpo . Nestes tempos de pandemia, ela faz parte de todos nós. A frase poderia ser reescrita:

*Só é permitida a entrada de pessoas de máscara.

*Só é permitida a entrada  de pessoas com máscaras.

 A escrita necessita ser vigiada para evitarmos tais erros. Sei que é difícil, pois se não fosse, nenhuma gramática teria erros. O primeiro passo é praticar todos os dias com amor e carinho a nossa língua. 

OBSERVAÇÃO : Qualquer erro de gramática (ortografia, pontuação, concordância, etc) ou de teoria, por favor, faça um comentário apontando e será corrigido. Como qualquer ser humano podermos errar. Ficarei grato com a ajuda que venha para melhorar. 

#Para quem deseja saber mais sobre metonímia ( vale também consultar a parte de preposição destes livros):

BECHARA, Evanildo.  Moderna gramática portuguesa. 37.ed. Rio de Janeiro: Nova fronteira & Lucerna, 2009.

BECHARA, Evanildo.  Gramática escolar da língua portuguesa. 1.ed. Rio de Janeiro: Lucerna, 2002.

CÂMARA JR.,Joaquim Mattoso.  Dicionário de linguística e gramática. 9.ed. Petrópolis : Vozes,1981.(p.167-8)

LIMA, Rocha. Gramática normativa da língua portuguesa. 38.ed. Rio de Janeiro. José Olympio, 2000.

FIORIN, Luiz José; SAVIOLI, Francisco Platão.  Para entender o texto: leitura e redação. 17.ed.São Paulo :Ática, 2007. (Lição 14: Metáfora e metonímia, p.121-3)

PESTANA, Fernando. A gramática para concursos públicos. 4.ed.  Rio de Janeiro. Editora método,  2019.(p.830-1)



domingo, 5 de julho de 2020

A vista /à vista.

Quando usar à vista e a vista


Com facilidade encontramos nas redes sociais inúmeras páginas que dão dicas de português.  É também com facilidade que encontramos inúmeras dicas erradas. O exemplo acima é a prova . Sem contexto não podemos dizer que estão erradas.


1) Vendeu à vista. (Vendeu a dinheiro).

2) Vendeu a vista. (Vendeu a córnea, ou os olhos).

Dependendo do uso do acento grave, haverá mudança de sentido e de análise sintática.

 Entenda que na expressão adverbial "à vista" não ocorre crase. Na verdade, nas expressões  adverbiais, prepositivas e conjuntivas há só o acento grave, ele é usando para indicar que esse "à" é pura preposição, como diz Bechara (2009), assim como Manoel Ribeiro(2011) e Rocha Lima (2000) . Said Ali explica com riquezas de detalhes no livro Meios de expressão e alterações semânticas(1930), além de dizer que o "à" é somente preposição, diz também que ele deve ser pronunciado de forma aberta. Além disso, o acento grave serve para retira a ambiguidade das frases, como foi visto acima. Agora, vamos analisar as frases anteriores com relação à análise sintática: 

1)Vendeu à vista. ( adjunto adverbial )

2) Vendeu a vista. (objeto direto).

Veja outro exemplo no qual o acento retira a ambiguidade da frase:

3) vendo à vista ( pagamento imediato).

4) vendo a vista (observando a paisagem).

Portanto, dou uma dica para quem deseja aprender português: compre uma boa gramática e faça muitos exercícios. Há muitos professores por aí ensinando de qualquer jeito. 


OBSERVAÇÃO : Qualquer erro de gramática (ortografia, pontuação, concordância, etc) ou de teoria, por favor, faça um comentário apontando e será corrigido. Como qualquer ser humano podermos errar. Ficarei grato com a ajuda que venha para melhorar. 



Referências 

BECHARA, Evanildo.  Moderna gramática portuguesa. 37.ed. Rio de Janeiro: Nova fronteira & Lucerna, 2009.

LIMA, Rocha. Gramática normativa da língua portuguesa. 38.ed. Rio de Janeiro. José Olympio, 2000.

RIBEIRO, Manoel P. Gramática aplicada da língua portuguesa. 20.ed. Rio de Janeiro: Metáfora editora , 2011.



OS QUATRO CAVALEIROS DO APOCALIPSE : PORQUÊ, PORQUE, POR QUÊ e POR QUE

Quem nunca teve dúvidas de quando usar um desses quatros porquês? Se tem um assunto espinhoso de língua portuguesa é este.  1) A...