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quinta-feira, 30 de setembro de 2021

HIPÁLAGE

    Segundo Mattoso Câmara (1981) é uma figura de linguagem que dá realce a um termo, ligando-o a outro termo que não é, logicamente, o seu correspondente determinado. Ou seja , atribuir-se a um ser ou coisa uma qualidade ou ação  que pertence a outro ser que também está na frase
 
Ex.: o mistério hebreu das vozes dos poetas - em vez de - o mistério das vozes dos profetas hebreus.(Guimarães apud Mattoso Câmara)

Exs. de Eça de Queirós: "(...) as lojas LOQUAZES dos barbeiros."( por: as lojas dos barbeiros LOQUAZES)

"As tias, fazendo as suas meias SONOLENTAS."(Por: as tias SONOLENTAS fazendo as suas meias.)(apud Rocha Lima [2000]).

Vejamos uma questão de concurso sobre esta figura de linguagem: 

(Nucepe/Uepi-SEMAG- PROFESSOR de LÍNGUA PORTUGUESA -2020)
“Hipálage: consiste em deslocar um determinante de uma posição sintática, em que, por razões semânticas, se esperaria que ele estivesse, para outro lugar, em que contrai uma relação de determinação com outro termo.” (FIORIN, José Luiz. Figuras retóricas. 1ª ed. São Paulo: Contexto, 2014, p. 66) 

A figura de linguagem explicada, estritamente literária, exemplifica-se com 

a) “manchas brancas que eram ossadas” (1o parágrafo). 

b) “O voo negro dos urubus fazia círculos altos” (1o parágrafo). (Gabarito)

c) “fazia círculos altos em redor de bichos moribundos” (1o parágrafo). 

d) “Sinhá Vitória aprovou esse arranjo, lançou de novo a interjeição gutural” (5o parágrafo). 

e) “Tinha o coração grosso, queria responsabilizar alguém pela sua desgraça” (3o parágrafo).  

    Marcelo Rosenthal, na sua Gramática para concursos(2011), confirma o gabarito com o mesmo exemplo da questão. O voo não é negro, mas sim os urubus, assim negro é um qualificativo para urubus. 

Referências  
CÂMARA JR.,Joaquim Mattoso.  Dicionário de linguística e gramática. 9.ed. Petrópolis: Vozes,1981.

LIMA, Rocha. Gramática normativa da língua portuguesa. 38.ed. Rio de Janeiro. José Olympio, 2000.

ROSENTHAL, Marcelo. Gramática para concursos.5.ed.Rio de Janeiro.  Campus concursos, 2011.

domingo, 9 de agosto de 2020

Complemento verbal locativo?


Como classificar o complemento dos verbos que necessitam de um termo locativo ? 

Adjunto adverbial, complemento circustancial, complemento terminativo, objeto indireto , objeto indireto adverbial, objeto indireto circustancial,  objeto indireto locativo ?

A classificação dos complementos de natureza adverbial 

1) Muitas classificações tanto quanto as divergências a cerca do assunto. A classificação dos complementos de natureza adverbial causa diferentes entendimentos e desentendimentos entre os nossos mais abalizados gramáticos normativos. Os verbos de movimento ou de situação  (chegar, ir, partir, seguir, vir, voltar, ficar, morar, etc.) pedem um COMPLEMENTO ADVERBIAL DE LUGAR, e não um ADJUNTO ADVERBIAL. 
Como o verbo ir exige a preposição A para ligá-lo ao termo locativo, muitos gramáticos veem aí um complemento verbal (obrigatório) e não um adjunto adverbial (dispensável ).

2) Entenda: alguns verbos exigem um termo locativo para completa o seu sentido. A ausência de complemento para o verbo ir deixaria a frase  sem sentido:
Ir a Belém 
Ir  (onde?)

Por isso, não poderíamos classificar o verbo ir como intransitivo (sentido completo), pois sem o termo locativo o sentido ficaria incompleto. 

3) Entretanto, como adverte Eduardo Carlos Pereira: "entre o complemento terminativo e o circunstancial nem sempre há limites rigorosos." E Francisco Fernandes (1990), no Dicionário de verbos e regimes, afirma que "não é fácil delimitar fronteiras entre adjunto adverbial(complemento dispensável) e complemento terminativo(complemento necessário) . O problema da classificação dos verbos,  seus complementos e o ofício de cada um destes tem sido objeto de sérias controvérsias(...)"

4) A Nomenclatura Gramatical Brasileira (NGB) classifica como adjuntos adverbiais

5 ) Bechara (2006,p. 52) questiona a NGB :" Irei à cidade,
Voltei do trabalho,tínhamos a rigor de falar em verbos TRANSITIVOS ADVERBIAS,isto é, os que pedem como complemento uma expressão adverbial."

6) Rocha Lima (2000,p.252-3),na sua gramática,  diferencia adjunto advervial (termo acessório ) de complemento circunstacial (termo integrante). Para Rocha Lima, o COMPLEMENTO CIRCUSTANCIAL é  "indispensável a construção do verbo" :
Irei a Roma.
Morar em Paquetá.

7) Já Celso Pedro Luft (2002) classifica como objeto indireto, já que "circustancial é classificação semântica e não sintática".

8) Adriano da Gama Kury (1991) chama os verbos de movimento ou de situação  (chagar,ir,partir,seguir,vir,voltar, ficar ,morar,etc.) de verbos transitivos adverbiais quando pedem um COMPLEMENTO ADVERBIAL DE LUGAR que complete o sentido desses verbos. Nos diz ainda que José Oiticica denomina "verbos adverbiados". 

9) Em concursos públicos, as bancas seguem a NGB e a maioria dos gramáticos que classificam como adjunto adverbial, sendo o verbo intransitivo. Porém...a banca FCC segue a visão de Luft, classificando como verbo transitivo indireto e o complemento verbal, como objeto indireto. (Pestana,2019)

10) Enfim, o assunto é complexo, mesmo depois de muito tempo, ainda não se chegou a um consenso sobre a classificação do complemento desses verbos. É, provavelmente, a polêmica vai continuar. 

Referências 


BECHARA, Evanildo.  Lições de português  pela análise sintática . 18.ed. Rio de Janeiro: Lucerna, 2006.

FERNANDES, Francisco. Dicionário de verbos e regimes. 37.ed. São Paulo: Globo, 1990.

KURY,  Adriano da Gama. Novas lições de análise sintática . 5.ed. São Paulo : Ática, 1991. 

LIMA, Rocha. Gramática normativa da língua portuguesa. 38.ed. Rio de Janeiro. José Olympio, 2000.

LUFT, Celso Pedro. Dicionário prático de regência verbal. 8.ed. São Paulo : editora Ática, 2002. 

PEREIRA, Eduardo Carlos. Gramática expositiva : curso superior.  94.ed. São Paulo: Companhia editora nacional, sem data. 

PESTANA, Fernando. A gramática para concursos públicos. 4.ed.  Rio de Janeiro. Editora método,  2019.

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Complemento relativo vs objeto indireto



NGB (Nomenclatura gramatical brasileira,1959), que unificou a nomenclatura das gramáticas brasileiras, não faz distinção entre complementos verbais  preposicionados, ou seja, classificando todos os complementos introduzidos por preposição necessária como objetos indiretos. Mas alguns autores separam complemento relativo de objeto indireto.

 A maioria dos gramáticos segue a NGB, entretanto... lá vem polêmica...há dois gramáticos de peso, Rocha Lima e Evanildo Bechara, que fazem a separação entre complemento relativo(CR) e objeto indireto(OI).


  A estudiosa Vera L. Rodrigues(2003) é a favor da separação, seguindo o pensamento de Lima e Bechara. Já Olmar G. da Silveira (1996) argumenta que a questão necessita de estudos mais profundos. E Adriano da Gama Kury (1991) diz: " nem doutrinária, nem, muito menos, didaticamente,  nos parece aconselhável tal separação: em primeiro lugar, não se fez ainda, em nossa língua, o estudo definitivo que está por merecer o objeto indireto, apesar da tentativa de Rocha Lima (Uma Preposição Portuguesa); e a presença obrigatória da preposição sem valor cirscuntacial é suficiente para a caracterização estrutural dessa função sintática."

Objeto indireto(OI).

OI complementa verbos transitivos indiretos (VTI) e verbos transitivos diretos e indiretos (VTDI)  que necessitam de um complemento preposicionado. Aliás, para Lima (2000) e Bechara (2002,2009), os OIs representam à pessoa ou à coisa "a que se dirige ou destina a ação ou estado que o processo verbal expressa" (Lima,2000). São sempre introduzidos pelas preposições A (mais comum) e PARA, e podem se substituídos, na terceira pessoa, pelos pronomes átonos lhe/lhes

Dar esmola a um mendigo / Dar-lhe esmola (R.Lima)

Mandei flores para a noiva / Mandei-lhe flores(R.Lima).

Complemento relativo(CR)


 Já o CR é ligado ao verbo pelas preposições a ,com,de,em,etc. Tendo valor de objeto direto(OD) (Lima, 2000). Ele não representa o ser ou a coisa beneficiado ou prejudicado na ação verbal, mas o ser sobre o qual recai a ação. E não pode ser substituído por lhe/lhes, mas por pronome pessoal tônico ela (s)/ele(s) precedido da preposição exigida pelo verbo. 

Gosto de Alice.

Gosto-lhe(errado)

Gosto dela(correta)

Objeto indireto(OI) X   Complemento relativo(CR)


Semanticamente o CR está mais próximo do OD (o ser sobre o qual recai a ação.), mas formalmente está próximo do OI (pela exigência da preposição).

Amo você (OD). / gosto de você (CR)

5)) Como diferenciar  OI do CR quando introduzidos pela preposição A?

A)Prefiro ele a você.

B)Desejo felicidades a você.

A frase A não representa um ser beneficiado, não pode ser substituído por lhe, por isso é CR. Já a frase B representa o ser beneficiado e pode se substituído por lheDesejo-lhe felicidades.


 Bechara (2009) afirma que é quase nula a frequência numa frase de OD com CR

A jovem pôs os livros (OD)  na estante (CR).

Continua o eminente gramático dizendo que muitos verbos alternam a sua construção com OD ou CR :

ajudar a missa (OD) / ajudar à missa (CR).

Para LimaOI não se pode apresentar sob forma oracional, isto é , não existe oração subordinada objetiva indireta. Bechara diz o contrário.

  Apesar de Marcelo Rosenthal (2011) dizer que nos concursos públicos,  não é feita tal distinção (CR x OI), sendo os dois casos absorvidos pelo objeto indireto. No entanto...
Vejamos como isto caiu numa prova... 
(IBADE- PREF. DE VILHENA/RO-ADVOGADO-2019)
A oração subordinada transposta substantiva aparece inserida na oração complexa exercendo funções próprias do substantivo. Em qual das alternativas abaixo a oração subordinada transposta substantiva aparece exercendo função de objeto indireto? 

(AEnildo dedica sua atenção a que os filhos se eduquem (GABARITO)
(B) O pai viu que a filha saíra 
(C) Todos gostam de que sejam premiados 
(D) A verdade é que todos foram aprovados 
(E) Convém que tu estudes

Todas as frases da questão são da gramática do BecharaREPARE  na letra C...Isso mesmo, ela não foi considerada como OI, o que nos faz presumir que foi encarada pela banca como CR. Na reposta aos recursos, a banca usa a gramática do Bechara para defender o seu gabarito. Como não havia bibliografia específica para o concurso, esta questão deveria ter sido anulada.

Referências 

BECHARA, Evanildo.  Gramática escolar da língua portuguesa. 1.ed. Rio de Janeiro: Lucerna, 2002.

BECHARA, Evanildo.  Moderna gramática portuguesa. 37.ed. Rio de Janeiro: Nova fronteira & Lucerna, 2009.

KURY,  Adriano da Gama. Novas lições de análise sintática . 5.ed. São Paulo : Ática, 1991. 

LIMA, Rocha. Gramática normativa da língua portuguesa. 38.ed. Rio de Janeiro. José Olympio, 2000.

RODRIGUES, Vera Cristina. Dicionário Houaiss: Verbos, conjugação e uso de preposições. 1.ed. Rio de Janeiro : Objetiva ,2003.

ROSENTHAL, Marcelo. Gramática para concursos.5.ed.Rio de Janeiro.  Campus concursos, 2011.

SILVEIRA, Olmar Guterres da. Reflexão sobre os fatos de sintaxe(p.42-47). Padrões frasais do Português(p.48-51). In FREITAS ,Horácio Rolim de (org). A obra de Olmar Guterres da Silveira. Rio de Janeiro : Metáfora ,1996. 

quarta-feira, 8 de julho de 2020

Tipos de gramáticas

Quais tipos de gramáticas existem?




Algumas pessoas ficam supresas quando eu digo que há diferentes tipos de gramáticas. Na cabeça delas há somente "aquela que é estudada na escola", ou seja, a famosa gramática normativa

Então vamos conhecer algumas: 

1) GRAMÁTICA HISTÓRICA:"é a ciência que estuda os fatos de uma língua, no seu desenvolvimento sucessivo, desde a origem até a época atual(...) remontando no passado as suas origens, ao seu período de formação,  explica-nos as transformações por que essa mesma língua passou, na sua evolução através do espaço e do tempo" (COUTINHO,1976,p.13)
Nem toda língua possui uma gramática histórica porque não tem passado, por exemplo: o esperanto e outras línguas artificiais. A língua portuguesa possui algumas gramáticas históricas, deixarei aqui quatro indicações :

A) Compêndio de gramática histórica, de José Joaquim Nunes.

B) A conhecidíssima Gramática histórica, de Ismael de Lima Coutinho.

C) Gramática histórica da língua portuguesa , do Mestre brasileiro Said Ali.

D) Sintaxe histórica portuguesa, do Epifânio Dias.


2) GRAMÁTICA DESCRITIVA: É uma disciplina científica  que estuda e registra  os fatos atuais da língua sem julgar se é certo ou errado , ela apenas descrever. 
Aqui no Brasil, indico às gramáticas descritivas do Mário Perini e a do Ataliba de Castilho


3) GRAMÁTICA NORMATIVA:  estuda os fatos da língua e prescreve o certo e o errado, impondo as regras de bem  escrever e de  falar, estas regras são baseadas nas obras de grandes escritores. 
É uma disciplina  não científica, sua finalidade é pedagógica, ( BECHARA, 2009,p.52) didática por excelência, que tem por objetivo ensinar as normas que em determinada época , representam o ideal da expressão correta (ROCHA LIMA, 2000,p.7). É a estudada na escola e também a de maior prestígio social.
As principais gramáticas normativas atuais são :

A) Moderna gramática portuguesa, do Evanildo Bechara.

B) Gramática Normativa da língua portuguesa, de Rocha Lima.

C)Gramática do Português contemporâneo, Cunha e Cintra.

D) Novíssima gramática, de Domingos Paschoal Cegalla. 
Creio que essas são quatro principais, porém há outras.

4) Além desses três tipos de  gramáticas , há ainda a gramática interna dos falantes, gramática comparativa (que estuda duas ou mais línguas do mesmo tipo, mostrando as semelhanças e diferenças existente entre elas (SAID ALI,1964,p.15), gramática de usos (analisar os usos reais, como faz Maria Helena de Moura Neves  na sua Gramática de usos do português), gramática gerativa (criada por Noam Chomsky ), gramática funcionalista (Halliday), etc. Há muitos tipos de gramáticas,  todas com um propósito específico de  estudar uma língua por diferentes ângulos, e enriquecer ainda mais o estudo dessa língua. 

OBSERVARÃO : Qualquer erro de gramática (ortografia, pontuação, concordância, etc) ou de teoria, por favor, faça um comentário apontando e será corrigido. Como qualquer ser humano podermos errar. Ficarei grato com a ajuda que venha para melhorar. 



Referências

ALI, M.Said.Gramática secundária e Gramática histórica da língua portuguesa.  Brasília : UnB, 1964. 

BECHARA, Evanildo.  Moderna gramática portuguesa. 37.ed. Rio de Janeiro: Nova fronteira & Lucerna, 2009.

COUTINHO, Ismael de Lima. Gramática histórica. 7.ed.Rio de Janeiro : Ao livro técnico, 1976. 

LIMA, Rocha. Gramática normativa da língua portuguesa. 38.ed. Rio de Janeiro. José Olympio, 2000.





terça-feira, 7 de julho de 2020

A preposição é o seu valor


A preposição pode mudar totalmente o sentido de uma frase 


A preposição tem normalmente valor semântico dentro de um contexto ( há casos em que ela serve como mero conector).  O uso de uma preposição por outra causa mudança  semântica :


*A filha fala do pai

*A filha fala com o pai 

 *A filha fala sobre o pai 

*A filha fala contra o pai 

A frase ("Só é permitida a entrada de máscara.") nos causa riso porque entendemos que somente a máscara poderá entra, e não a pessoa. Mas, na verdade, o que ocorre aqui no uso pragmático, ou seja, no uso real do cotidiano da língua, é uma figura de linguagem: a metonímia , isto é,  a parte pelo todo. A máscara é tomada como parte de nós. Se na escrita, a frase acima semanticamente estaria equivocada, no uso real, dentro de um contexto, por exemplo, num restaurante, entenderíamos que somente pessoas usando máscaras poderiam entrar,  e não só as máscaras, até porque máscaras não podem andar. Não haveria equívoco. Então é isso: o povo  perceber que a máscara faz parte do corpo . Nestes tempos de pandemia, ela faz parte de todos nós. A frase poderia ser reescrita:

*Só é permitida a entrada de pessoas de máscara.

*Só é permitida a entrada  de pessoas com máscaras.

 A escrita necessita ser vigiada para evitarmos tais erros. Sei que é difícil, pois se não fosse, nenhuma gramática teria erros. O primeiro passo é praticar todos os dias com amor e carinho a nossa língua. 

OBSERVAÇÃO : Qualquer erro de gramática (ortografia, pontuação, concordância, etc) ou de teoria, por favor, faça um comentário apontando e será corrigido. Como qualquer ser humano podermos errar. Ficarei grato com a ajuda que venha para melhorar. 

#Para quem deseja saber mais sobre metonímia ( vale também consultar a parte de preposição destes livros):

BECHARA, Evanildo.  Moderna gramática portuguesa. 37.ed. Rio de Janeiro: Nova fronteira & Lucerna, 2009.

BECHARA, Evanildo.  Gramática escolar da língua portuguesa. 1.ed. Rio de Janeiro: Lucerna, 2002.

CÂMARA JR.,Joaquim Mattoso.  Dicionário de linguística e gramática. 9.ed. Petrópolis : Vozes,1981.(p.167-8)

LIMA, Rocha. Gramática normativa da língua portuguesa. 38.ed. Rio de Janeiro. José Olympio, 2000.

FIORIN, Luiz José; SAVIOLI, Francisco Platão.  Para entender o texto: leitura e redação. 17.ed.São Paulo :Ática, 2007. (Lição 14: Metáfora e metonímia, p.121-3)

PESTANA, Fernando. A gramática para concursos públicos. 4.ed.  Rio de Janeiro. Editora método,  2019.(p.830-1)



domingo, 5 de julho de 2020

A vista /à vista.

Quando usar à vista e a vista


Com facilidade encontramos nas redes sociais inúmeras páginas que dão dicas de português.  É também com facilidade que encontramos inúmeras dicas erradas. O exemplo acima é a prova . Sem contexto não podemos dizer que estão erradas.


1) Vendeu à vista. (Vendeu a dinheiro).

2) Vendeu a vista. (Vendeu a córnea, ou os olhos).

Dependendo do uso do acento grave, haverá mudança de sentido e de análise sintática.

 Entenda que na expressão adverbial "à vista" não ocorre crase. Na verdade, nas expressões  adverbiais, prepositivas e conjuntivas há só o acento grave, ele é usando para indicar que esse "à" é pura preposição, como diz Bechara (2009), assim como Manoel Ribeiro(2011) e Rocha Lima (2000) . Said Ali explica com riquezas de detalhes no livro Meios de expressão e alterações semânticas(1930), além de dizer que o "à" é somente preposição, diz também que ele deve ser pronunciado de forma aberta. Além disso, o acento grave serve para retira a ambiguidade das frases, como foi visto acima. Agora, vamos analisar as frases anteriores com relação à análise sintática: 

1)Vendeu à vista. ( adjunto adverbial )

2) Vendeu a vista. (objeto direto).

Veja outro exemplo no qual o acento retira a ambiguidade da frase:

3) vendo à vista ( pagamento imediato).

4) vendo a vista (observando a paisagem).

Portanto, dou uma dica para quem deseja aprender português: compre uma boa gramática e faça muitos exercícios. Há muitos professores por aí ensinando de qualquer jeito. 


OBSERVAÇÃO : Qualquer erro de gramática (ortografia, pontuação, concordância, etc) ou de teoria, por favor, faça um comentário apontando e será corrigido. Como qualquer ser humano podermos errar. Ficarei grato com a ajuda que venha para melhorar. 



Referências 

BECHARA, Evanildo.  Moderna gramática portuguesa. 37.ed. Rio de Janeiro: Nova fronteira & Lucerna, 2009.

LIMA, Rocha. Gramática normativa da língua portuguesa. 38.ed. Rio de Janeiro. José Olympio, 2000.

RIBEIRO, Manoel P. Gramática aplicada da língua portuguesa. 20.ed. Rio de Janeiro: Metáfora editora , 2011.



OS QUATRO CAVALEIROS DO APOCALIPSE : PORQUÊ, PORQUE, POR QUÊ e POR QUE

Quem nunca teve dúvidas de quando usar um desses quatros porquês? Se tem um assunto espinhoso de língua portuguesa é este.  1) A...