quarta-feira, 29 de julho de 2020

Dúvidas com relação à grafia das palavras ?... Então conheça o VOLP, da ABL.

 O Vocabulário ortográfico da língua portuguesa (VOLP), da Academia Brasileira de Letras (ABL), "é o responsável pela grafia oficial das palavras do Brasil", isso é o que a gente houve. O certo é que a ABL é responsavel pelo formulário ortográfico. 


1)) blog dicionário e gramática afirma que o VOLP não tem  valor legal nem oficial. Mas é  utilizado com tal propósito aqui no Brasil. E que o acordo ortográfico deve ser seguido quando houve divergências com o VOLP. Há muitas diferenças entre o acordo e o VOLP. Entretanto, caso você tenha alguma dúvida relacionada à grafia de alguma palavra, não hesite, procure no VOLP, são mais de 381 mil palavras registradas. Nele há só a grafia da palavra ,às vezes,   indica a pronúncia e o plural, não trazendo o significado das palavras, já que não é um dicionário.

 2)) Algumas palavras geram dúvidas  co-herdeiro ou coerdeiro? Devido à redação do acordo ortográfico há divergências. Pelo acordo ( e pelo Vocabulário ortográfico comum (VOC)) deveria ser co-herdeiro, pelo VOLP, coerdeiro

3)) Obviamente, o VOLP não tem todas as palavras, tendo algumas omissões (ex. dona de casa). Mas isso faz parte. 
 Existe o aplicativo VOLP no Google play. Vá lá e baixe. Eu sempre uso quando tenho dúvidas e com certeza lhe será de grande ajuda. Há bons dicionários virtuais na Internet, como Michaelis, Caldas Aulete, Priberam. Recomendo todos.

terça-feira, 28 de julho de 2020

Qual o plural de franco-atirador ?



O plural de certas palavras compostas provocar divergência entre dicionaristas e gramáticos. A palavra em questão está neste meio. Então qual o plural de franco-atirador ?


1) O VOLP (da ABL) registra somente franco-atiradores como plural. E essa é também a opinião de Bechara e dos dicionários Caldas Aulete, Houaiss, Priberam e Michaelis

2) Entretanto...Cegalla (2008) aceita  apenas francos-atiradores. Mas Bechara (2018) não aceita este plural: "O substantivo masculino franco-atirador 
(= combatente que age por conta própria, não fazendo parte do exército legalmente constituído; aquele que luta por um ideal sem fazer parte de uma organização; membro de escola de tiro) tem como plural franco-atiradoresNeste composto, o elemento franco refere-se aos francos (do latim tardio frâncu pelo frâncico frank, ‘certo povo germânico’). Dessa forma não se deve pluralizar francos-atiradores."
Cegalla argumenta que franco está aqui no sentido de livre (um adjetivo, assim deveria variar) e não de francês (franco-americano), cujos os primeiros elementos não varia em grau (franco-americanos). Logo,tendo o sentindo de um adjetivo deveria variar francos-atiradores. Resumindo o uso consagrou franco-atiradores como plural, mas pela regra dos compostos (adjetivo+substantivo) deveria ser francos-atiradores. Enfim...uma daquelas exceções à regra. 

Referências 

BECHARA, Evanildo. 
Novo dicionário de dúvidas da língua portuguesa. 2. ed. - Rio de Janeiro : Nova Fronteira, 2018.

CEGALLA, Domingos Paschoal. Dicionário de dificuldades da língua portuguesa. Edição de bolso. 2.ed. Rio de Janeiro: lexikon; Porto Alegre, RS: L&PM, 2008.

sábado, 25 de julho de 2020

"Chegar em" nunca se pode usar ???

 

A maioria das gramáticas normativas brasileiras condenam "chegar em" e ponto. Fica a impressão no leitor que nunca se pode usar a preposição "em" com o verbo chegar.


 Isto está longe da verdade como ensina Evanildo Bechara (2002, 2009). Com complemento locativo não se usar a preposição em, mas a preposição a (Luft (2002), Bechara (2009), M.P. Ribeiro (2011), Cegalla (2008)), apesar de que na fala ,nas charges e nos quadrinhos, usa-se em, mas no estágio atual da língua culta não se aceita tal regência:

Chegou em casa (errado)

Chegou na casa (errado)

Chegou a casa (correta)

Então quando se usa "chegar em" na norma exemplar?
Usa-se a preposição "em" com valor de tempo:

Chegou na hora certa

Esse é o ensino de Evanildo Bechara(2002, 2009) e Manoel Pinto Ribeiro (2011). Luft (2002) diz que pode-se usar "chegar a ... (em),"no sentido de comparar-se, igualar-se: Ela não chegar à mãe  (em beleza). E no sentindo de bater, espancar: "chegar em".
Portanto, fica o ensino, pode-se utilizar "chegar em" com valor temporal.

#Obs.: A charge acima foi retirada do Google imagens.Não deixei link para o site original porque não encontrei. E pelas minhas pesquisas no Google, o site saiu do ar. 

Referências 

BECHARA, Evanildo.  Gramática escolar da língua portuguesa. 1.ed. Rio de Janeiro: Lucerna, 2002.

BECHARA, Evanildo.  Moderna gramática portuguesa. 37.ed. Rio de Janeiro: Nova fronteira & Lucerna, 2009.

CEGALLA, Domingos Paschoal. Dicionário de dificuldades da língua portuguesa. Edição de bolso. 2.ed.Rio de Janeiro : lexikon; Porto Alegre,RS: L&PM,2008.

LUFT, Celso Pedro. Dicionário prático de regência verbal. 8.ed. São Paulo : editora Ática, 2002. 

RIBEIRO, Manoel P. Gramática aplicada da língua portuguesa. 20.ed. Rio de Janeiro: Metáfora editora , 2011.


segunda-feira, 20 de julho de 2020

Predicativo do adjunto adverbial de companhia, do adjunto adnominal e do predicativo


A tradição gramatical nos diz que há predicativo do sujeito e dos objetos direto e indireto.


O estudioso Cláudio Cezar Henriques(2005)  nos mostra os seguintes predicativos:Predicativo do adjunto adverbial de companhia, do adjunto adnominal e do predicativo.


A)  Não saio com você desarrumada .

 Desarrumada é predicativo do núcleo do adjunto adverbial de companhia, VOCÊ.

B) Não deixarei que tirem retrato de mim nua.

Nua é predicativo do núcleo do adjunto adnominal, MIM.

CNo romance que escrevi, ela era minha irmã já envelhecida

Envelhecida é predicativo do núcleo do predicativo, IRMÃ.

Essas classificações ainda não são usuais nos compêndios de gramática.

Referências 

HENRIQUES, Cláudio Cezar. Sintaxe portuguesa para a linguagem culta contemporânea: teoria e prática.  5.ed. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2005.

domingo, 19 de julho de 2020

Namorar com...


Há muitos verbos que possuem na norma exemplar uma regência (assistir ao jogo) e outra na norma coloquial (assistir o jogo). O caso aqui do verbo namorar é o mesmo. A norma exemplar aceitar: Miguel namora Antônia. A norma coloquial: Miguel namora com Antônia.

 A tradição gramatical trata o verbo namorar como transitivo direto, por isso condena o seu uso indireto. 


 No entanto, o uso condenado é apoiado por Antenor Nascentes (1967), Vera Lúcia Rodrigues (2003) e Celso Pedro Luft (2002). Luft comenta que: "a regência primitiva e de transitivo direto, aliás no sentido de 'inspirar amor a', evolução que é de enamorar. Puristas condenam, por isso, a regência namorar com..., que no entanto é normal considerando-se os traços 'companhia, encontro' e 'conversa', uso 'perfeitamente legítimo, moldado em casar com e noivar com' (Aurélio)"

 Costa (2004), em posição mais tradicional, não abona a regência indireta, contudo lista como apoiadores da dupla regência: Aires da Mata Machado Filho e Silveira Bueno.

 Nascentes (1967) assegura que a analogia com os verbos casar com/noivar com trouxe a preposição para namorar. A construção já parece no século XVIII.

Referências 

COSTA, José Maria da. Manual de redação profissional. 2.ed.Campinas: Millenium, 2004.

LUFT, Celso Pedro. Dicionário prático de regência verbal. 8.ed. São Paulo: editora Ática, 2002. 

NASCENTES,  Antenor.  O problema da regência.  3.ed. Rio de Janeiro: Livraria Freitas Bastos S.A.,1967.

RODRIGUES, Vera Cristina. Dicionário Houaiss: Verbos, conjugação e uso de preposições. 1.ed. Rio de Janeiro: Objetiva, 2003.

quinta-feira, 16 de julho de 2020

Face a


Expressão FACE À é condenada pela maioria dos gramáticos normativos.

 Em nossa língua culta, há as locuções em face a /em face de.

1)) O  gramático Cegalla (2008) faz o seguinte alerta: "locução censurada pelos gramáticos e não acolhida pelos dicionaristas, mas frequente nos meios de comunicação e na literatura de hoje: 'Face, porém, à situação surgida, o acirramento de uma disputa seria inevitável.'(Juscelino Kubitschek, Manchete, 9/10/93.)" E acrescentar que "esta locução talvez seja imitação do francês moderno: Les Douze face à la nouvelle Europe. / Les femmes face au préservatif."

2)) A supressão da preposição em (em face a) é considerado barbarismo fraseológico.

3)) José Maria da Costa (2004) lista os seguintes autores que não aceitam a locução: Napoleão Mendes de Almeida, Edmundo Dantès Nascimento, Geraldo Amaral Arruda, Luciano Correia da Silva e Arnaldo Niskier. E Macambira (1987,p. 95) diz que face a e frente a são coloquiais. Mas... sempre tem um  gramático para dizer o contrário. E, neste caso,  o Celso Pedro Luft (2002) é a voz divergente, que registra a locução sem maiores ressalvas. A expressão  em questão vem sendo usada a muito tempo, mesmo com a condenação dos gramáticos, em meios de comunicação e trabalhos acadêmicos.  Uma simples pesquisa no Google acadêmico comprova isso: 
 E sites de jornais:

Referências 

CEGALLA, Domingos Paschoal. Dicionário de dificuldades da língua portuguesa. Edição de bolso. 2.ed.Rio de Janeiro : lexikon; Porto Alegre, RS: L&PM, 2008.

COSTA, José Maria da. Manual de redação profissional. 2.ed.Campinas: Millenium,2004.

LUFT, Celso Pedro. Dicionário prático de regência nominal. 8.ed. São Paulo: editora Ática, 2002. 

MACAMBIRA, José Rebouças. A estrutura Morfo-Sintática do Português. 6.ed. São Paulo: Pioneira,1987.

terça-feira, 14 de julho de 2020

Orações substantivas introduzidas por COMO (=que)???



Há Orações substantivas introduzidas por COMO (=que)?

Alguns alunos com frequência indagam se COMO introduz oração subordinada substantiva? A resposta é sempre não


1)) No entanto, isso não é bem a verdade. E quem diz isso, é só um dos maiores sintaticistas da língua portuguesa Epifânio Dias (1970,p.257): "As orações substantivas são introduzidas pela conjunção que (e às vezes também por COMO)(no port.arch.CA)(...)"
Na página 263, Dias acrescenta: "O português arcaico médio empregava frequentemente o advérbio como pela conjunção que. Todavia, esta prática (hoje quase antiquada) é muito restrita e quase só se dá depois de verbos sensitivos e declarativos, e em sumários de capítulos:

quãdo souberon como Hercolles era viindo em Espanha, prougue-lhe ende muyto (Lenda da Vinda de Hercules Lisboa, apud Leite de Vasconcelos, Textos Arcaicos, 46 [...] visto como elle fora citado perentoriamente (Diego Aff. ,78).

Em sumários também se diz: de como, em como, e também depois dos verbos declarativos (no português arcaico, também depois dos verbos sensitivos), e dos substantivos correspondentes: em como:

Em quanto isto assi passavan foy dito a elrey em como ho Arcebispo recusava fazer o que tinha prometido [...].(Diego Aff.,71)."

2)) No português moderno não cabe tal ensino.  Dos gramáticos brasileiros que conheço, só Adriano da Gama kury segue tal ensino tanto na sua Gramática fundamental da língua portuguesa (1972) quanto nas Novas lições de análise sintática (1991). Diz o estudioso na Gramática fundamental da língua portuguesa (1972,p.181):  "São apenas QUE e COMO (para a declaração certa),  e SE ( para declaração duvidosa).
 Ex: Aposto QUE (ou COMO) você admirou a conquista da lua."  

Prossegue a explicação :" a palavra COMO só é conjunção integrante quando substituível por QUE" como a frase do exemplo acima.

3)) Em Novas lições de análise sintática (1991,p.72): "são introduzidas por uma das conjunções integrantes QUE ou SE, mais raramente COMO (=QUE)."

Deve estar aí nesse uso arcaico, a origem para a dúvida de alguns estudantes de hoje. Deixo aqui um link para interessante resposta de Carlos Rocha (do site Ciberdúvidas da Língua Portuguesa) sobre como/em como.


Referências 

DIAS, Augusto Epiphanio da Silva. Syntaxe histórica portuguesa. 5.ed. Lisboa: Livraria clássica editora , 1970.

KURY,  Adriano da Gama, Gramática fundamental da língua portuguesa:nível médio. São Paulo : Lisa-livros irradiantes S.A.,1972.

KURY,  Adriano da Gama. Novas lições de análise sintática . 5.ed. São Paulo : Ática, 1991. 

OS QUATRO CAVALEIROS DO APOCALIPSE : PORQUÊ, PORQUE, POR QUÊ e POR QUE

Quem nunca teve dúvidas de quando usar um desses quatros porquês? Se tem um assunto espinhoso de língua portuguesa é este.  1) A...